Levantamento dos pedidos de prospeção e pesquisa de depósitos Lítio

11
Jul

Quercus prova existência de uma corrida ao Lítio em Portugal – 10,1% do território nacional está sob forte ameaça destes projetos de mineração

Levantamento exaustivo da Quercus aos requerimentos efetuados pelos promotores junto da Direção-geral de Energia e Geologia revela ainda que o interior de Portugal é a região mais atingida

A Quercus realizou ao longo das últimas semanas, uma análise exaustiva a todos os pedidos de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais que foram efetuados entre Janeiro de 2016 e Junho de 2019, ou seja, ao longo dos últimos três anos e meio. Os dados oficiais que serviram de base a esta análise foram recolhidos através da página eletrónica da Direção-geral de Energia e Geologia – DGEG (http://www.dgeg.gov.pt/default.aspx?cn=733382528253AAAAAAAAAAAA) e dos avisos nela publicitados.

Esta análise detalhada permitiu demonstrar e concluir a existência real de uma “corrida ao lítio” em Portugal, que na maioria das vezes é acompanhada por outros minerais (Ouro, Prata, Zinco, Cobre, e outros). Num total de 93 requerimentos analisados, foi possível concluir que em 19,3% da área territorial de Portugal existem pedidos de prospeção e pesquisa de minerais (17 797, 92 km2), sendo que só no primeiro semestre de 2019 foi requerida uma área global de 8 848,4 km2, cerca de 49,7% do total dos últimos 3 anos e meio. O lítio e o ouro são os minerais mais requeridos, com um total de 50 pedidos cada, nos anos analisados,

Relativamente ao Lítio, em 2019, em apenas seis meses, foram apresentados 22 requerimentos, por uma única empresa, a Portugal Fortescue, Unipessoal, Lda, totalizando 6 926,168km2de área para prospeção, 74,4% do total dos últimos três anos e meio. No total, 130 Municípios de Portugal continental (46,8%) estão sob ameaça da exploração de minerais, 79 dos quais com requerimentos de lítio (25,7% dos municípios).

Os Municípios com mais requerimentos de prospeção de lítio são a Guarda e Figueira de Castelo Rodrigo, com 7 requerimentos diferentes em acumulado. Resultou também da análise efetuada que as regiões-alvo destes pedidos de prospeção de minério são o Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro e Beira Interior. O estudo completo pode ser consultado aqui:

Levantamento Lítio em Portugal; Anexo I; Anexo II; Anexo III

Perante estas evidências, a Quercus considera que existe claramente uma pressão, por parte dos vários investidores, para que estes projetos de mineração, sobretudo de Lítio, avancem em todo o território nacional e recomenda ao Governo português que tenha uma atitude muito precaucionaria, olhando de forma mais atenta para os interesses ambientais e das populações atingidas.

A Quercus recorda também todos os problemas e impactes ambientais que este tipo de mineração acarreta e considera que não é aceitável falar-se da extração de lítio, no contexto de mobilidade elétrica, como a solução única e ótima de armazenamento de energia, dado todo o contexto em que a extração deste minério se realiza. A extração de lítio é sobretudo um problema de mineração e dos seus impactos no ambiente e nas populações.

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